Entrevista a João Santos – de Sedentário a Ultramaratonista

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De Sedentário a Ultramaratonista

De sedentário a ultramaratonista, esta é a sua história:
Tem três anos de runner, perdeu 70 quilos de peso em dez meses e tem hoje milhares de quilómetros nas pernas. Faz provas de 100 quilómetros e vive lindamente com isso. De sedentário a ultramaratonista, João Santos, residente em Trancoso, é exemplo de como o desporto e a corrida em particular foram inspiração e motivação para uma nova vida.

Como conseguiu e quais as dificuldades deste percurso?

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FICHA TÉCNICA

Nome: João Emanuel Gonçalves dos Santos
Idade: 33 anos
Tipo de corrida preferida: Trail Running
Data da 1.ª prova de atletismo: 25/04/2014

Como surgiu a corrida na tua vida?

O que me levou a começar a correr foi a necessidade de mudar o meu estilo de vida, que era muito sedentário. No início mudei a minha alimentação e comecei a caminhar, na altura pesava mais de 150 kg, fui perdendo peso e quando cheguei aos 115kg apercebi-me que podia começar a correr 100 metros e alternava corrida com caminhada. No total perdi 70kg em 10 meses até chegar aos 80Kg e fui evoluindo até aos 100 quilómetros.

tinha vergonha do tamanho do meu corpo

No início como era sair à rua para ‘praticar desporto’ com 150kg? Qual foi o momento mais difícil, aquele em que pensaste desistir e deixar tudo como estava?

Com 150kg não praticava desporto, já não conseguia, até subir escadas me custava! Caminhava com dificuldade e cansava-me muito depressa, tinha vergonha do tamanho do meu corpo!

Não pensei em desistir porque quando comecei a dieta não tinha propriamente um objetivo era apenas uma tentativa de mudança, comecei por cortar nos refrigerantes e doces, depois as gorduras e por fim mudei o tipo de hidratos de carbono.

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Como conseguiste manter-te focado. Onde encontravas força e motivação para travar essa luta diária?

Conforme foram aparecendo os resultados a motivação foi aumentando, foi tudo muito rápido.

Antes gostava muito de comer, agora gosto muito de correr!

Com a alteração dos hábitos alimentares, hoje em dia quando tenho que escolher entre um hamburger ou uma posta de salmão grelhada, prefiro o salmão porque me sabe verdadeiramente melhor, o mesmo acontece com uma mousse de chocolate ou uma peça de fruta.

A luta já não é diária hoje em dia é uma rotina normal. Ainda como doces, gomas, chocolate negro… mas apenas quando estou a competir ou a treinar porque são rapidamente absorvidos e dão-me muita energia.

70kg em 10 meses são sem dúvida números de peso!

sedentário a atleta

Após estes 3 anos de aprendizagem e olhando para trás o que farias diferente? Quais os conselhos que deixas a quem tenha a coragem de abandonar uma vida sedentária?

Após estes 3 anos voltava a fazer tudo igual, escolhi o desporto que mais gostava e sou feliz.

O conselho que deixo a quem quer mudar o seu estilo de vida é o de que não basta passar a fazer exercício físico sem alterar hábitos alimentares. A alimentação é fundamental, é preferível mudar o tipo e a quantidade de alimentação do que se apenas começar a fazer exercício físico.

O exercício físico no processo de dieta tem que ser visto como um acelerador do processo de emagrecimento e não como a solução.

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Quem te conhece sabe que para ti o desporto se tornou um vício do qual faz parte tentares descobrir onde estão os teus limites. O trail running é para já a tua paixão. Quais foram os maiores desafios que já ultrapassaste?

Os meus maiores desafios foram: em distância o Ultra de Sicó com 111km, em dificuldade o OH MEU DEUS, com 100km, e em perigo o Ultra Picos Da Europa, de 55Km.
Gosto de desafios muito longos, muito técnicos e pouco perigosos, e vou continuar a aumentar a distância e a dificuldade.

Qual o próximo?

Já concluí o Campeonato Nacional de Ultra Trail Endurance da ATRP, fazendo o UTAX terei concluído também o Campeonato Nacional de Ultra Trail da ATRP que eram os meus grandes objetivos para esta época.
O meu próximo grande objetivo é a distância mais longa (100milhas | 160km) da prova OH MEU DEUS na Serra da Estrela, em 2018.

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O que dizem as tuas sapatilhas?

Dizem que o melhor ainda está para vir! Irei aumentar distâncias, porque é onde me sinto melhor e é o que gosto de fazer. Com o tempo, os resultados vão ser melhores, apesar de não ser o mais importante. O que interessa é ser feliz!

São histórias como a do João Santos que nos mostram que não vale a pena inventar desculpas. É ‘apenas e só’ sair à rua e fazer acontecer.

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